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Afastamentos por saúde mental crescem 80% em dois anos: O que o Gestor de varejo pode fazer hoje

  • há 7 horas
  • 5 min de leitura

Um número assustou o Brasil recentemente: os afastamentos do trabalho por transtornos mentais cresceram quase 80% entre 2023 e 2025, segundo dados do INSS analisados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).


Em 2023, foram pouco menos de 220 mil afastamentos. Em 2025, já chegaram a quase 394 mil. O custo financeiro desses afastamentos para a previdência social passou de R$ 477 milhões para mais de R$ 954 milhões no mesmo período, um crescimento de 100% em dois anos.


Esses números falam sobre o Brasil inteiro, mas eles também falam sobre a sua loja.


Os dados que todo Gestor precisa conhecer

Os transtornos que mais aparecem nos afastamentos são depressão e ansiedade. Juntos, eles respondem pela maior parte dos casos. Só os afastamentos por episódios depressivos saltaram de pouco mais de 70 mil em 2023 para mais de 122 mil em 2025. Os quadros de ansiedade quase dobraram no mesmo período e responderam por cerca de 40% de todos os afastamentos por transtornos mentais no último ano.


Mas o dado que mais impressiona é o do burnout: os casos mais do que triplicaram, passando de 1.760 registros em 2023 para quase 7.000 em 2025 e tem um alerta importante da ANAMT que todo gestor deveria guardar: "Os afastamentos mostram o estágio mais grave do adoecimento. Antes disso, existe um contingente enorme de trabalhadores atuando com sofrimento psíquico, mas ainda sem chegar ao ponto de se afastar formalmente."


Traduzindo para a realidade do varejo: o colaborador que você vai perder para um afastamento por saúde mental provavelmente já está dando sinais há semanas. Energia baixa, irritabilidade, erros que antes não cometia, dificuldade de concentração, distanciamento do time. Esses são os sinais de um adoecimento que está progredindo — e que pode ser interrompido se for percebido a tempo.


Por que o varejo é especialmente vulnerável

O ambiente do varejo reúne, numa mesma rotina, vários dos fatores que os especialistas apontam como gatilhos para o adoecimento mental:


Pressão constante por resultado: Meta diária, meta semanal, meta mensal. O colaborador de varejo vive num ciclo contínuo de cobrança por desempenho, muitas vezes sem o suporte necessário para entender o que precisa melhorar ou como.


Jornadas desgastantes e escalas mal distribuídas: Fechamento seguido de abertura, dobras frequentes, fins de semana sem folga. O cansaço físico crônico é terreno fértil para o esgotamento emocional.


Baixa previsibilidade das rotinas: Mudanças de escala de última hora, imprevistos no fluxo de clientes, falta de clareza sobre o que se espera de cada um. A ansiedade cresce exatamente onde falta previsibilidade e organização.


Relacionamentos que ninguém cuida: Conflitos entre colegas que se acumulam sem resolução. Feedbacks que nunca chegam ou chegam de forma agressiva. A sensação de que ninguém está prestando atenção em como você está.


Falta de perspectiva de crescimento: Dados do próprio setor mostram que a ausência de um plano de carreira claro é uma das principais causas de desmotivação no varejo. Quando o colaborador não vê futuro, o presente pesa muito mais. Tudo isso somado cria um ambiente onde o adoecimento mental não é exceção, é consequência.


O que os sinais de alerta parecem no dia a dia

A médica do trabalho Leticia Trés, vice-coordenadora da Comissão de Psiquiatria do Trabalho da Associação Brasileira de Psiquiatria, listou os sinais mais frequentes de adoecimento que aparecem antes do afastamento: irritabilidade, dificuldade de concentração, insônia, tensão muscular e sensação constante de urgência.


No varejo, esses sinais se manifestam de formas muito concretas: O vendedor que sempre teve boa abordagem começa a evitar o cliente. O colaborador pontual passa a chegar atrasado com frequência. Aquele que sempre participava das reuniões agora fica no canto. A pessoa que resolvia os próprios problemas começa a precisar de suporte para tudo. O tom das interações muda: respostas mais curtas, menos energia, menos presença. Nenhum desses sinais é "frescura", todos são dados e dados precisam de resposta.


O papel do Gestor nesse cenário

A responsabilidade do gestor não é curar, mas perceber, acolher e agir dentro do que está ao seu alcance. E o que está ao alcance do gestor é muito mais do que a maioria imagina:


Criar rotinas de escuta: Uma conversa de cinco minutos com um colaborador que está visivelmente mal pode ser o que impede uma semana de faltas. Escuta ativa não exige formação em psicologia, exige presença e intenção.

Distribuir a escala com inteligência: Sobrecarga crônica é evitável na maioria dos casos. Revisar a escala semanalmente, distribuir postos de maior esforço com rodízio e garantir folgas adequadas são ações simples que têm impacto direto no bem-estar da equipe.

Dar feedback de forma humana: Cobrança sem contexto e sem cuidado é um dos maiores geradores de ansiedade no trabalho. Um feedback que explica, orienta e reconhece, mesmo quando aponta um problema, é completamente diferente de uma cobrança que envergonha.

Reconhecer o que está bem: Ambientes onde só se ouve o que está errado são ambientes de alta ansiedade. O reconhecimento regular de boas práticas cria um contrapeso emocional que faz diferença no clima da loja.

Ter conversas sobre perspectiva: Saber que existe um caminho à frente, mesmo que seja modesto, é um fator de proteção emocional para o colaborador. Uma conversa trimestral sobre desenvolvimento individual pode mudar completamente a relação do colaborador com o trabalho.


Saúde mental e resultado: mais conectados do que parece

Existe uma crença no varejo de que cuidar do bem-estar da equipe é "coisa de RH" e não tem relação direta com o resultado da loja. Os dados contradizem isso com clareza.


Pesquisas do setor mostram que cada 10 pontos percentuais de aumento na satisfação do colaborador correspondem a aproximadamente 7% de aumento em produtividade. Equipes com clima positivo têm menor absenteísmo, menor rotatividade e maior disposição para engajar com o cliente.


O colaborador que está bem emocionalmente atende melhor, permanece mais e quando fica, cresce. O adoecimento mental da equipe não é um problema de saúde isolado do negócio, é um problema de negócio que se manifesta na saúde das pessoas.


Como a SmartShop está olhando para isso

A SmartShop acompanha de perto essa tendência, porque ela aparece diretamente nos indicadores das lojas que chegam até nós. Absenteísmo crescente, turnover alto, queda de conversão em períodos de crise de clima interno. Tudo isso tem origem, muitas vezes, num adoecimento silencioso que ninguém mapeou a tempo.


É por isso que as missões semanais do Sistema de Aceleração em Performance da SmartShop foram desenhadas para atuar exatamente nos fatores que mais contribuem para o adoecimento no varejo, antes que eles virem afastamento.


Algumas das missões que fazem essa diferença na prática:

Diagnóstico de clima e energia: o gestor aprende a fazer uma leitura rápida do estado emocional da equipe toda semana, identificando sinais de sobrecarga ou desmotivação antes que se agravem.

Reconhecimento de boa performance: criar uma rotina de reconhecimento público que equilibra a cobrança e constrói um ambiente emocionalmente mais saudável.

Análise de escala e sobrecarga: revisar a distribuição de turnos e funções para evitar o acúmulo de cansaço que alimenta o burnout.

Feedback humanizado: aprender a dar retorno de forma que oriente sem degradar, que corrija sem envergonhar.

Mapeamento de clima interno: aplicar pesquisa anônima com a equipe para identificar os pontos de maior pressão e criar planos de ação concretos.


Não são ações de RH, são práticas de gestão que qualquer gerente pode aplicar, toda semana, dentro da sua rotina. Porque o gestor que cuida do clima da equipe não está sendo bonzinho, está sendo estratégico.


Quer desenvolver esse olhar de forma estruturada?

No Programa Loja Certificada SmartShop, você tem missões semanais, ferramentas práticas e o suporte de uma comunidade de gestores para desenvolver exatamente esse tipo de liderança, que entrega resultado e cuida das pessoas ao mesmo tempo.


Porque esses dois objetivos não são opostos, são o mesmo objetivo.



Sistema de Aceleração em Performance para o Varejo — Sua loja mais inteligente.

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